A raiva é um sentimento difuso e, infelizmente, muito presente em mim. Tenho muita raiva do que já fizeram comigo, do que fizeram com minha mãe, com minha irmã e com outros familiares. Por isso, muitas vezes, prefiro me isolar. Porque, quando ela vem, eu perco o controle.

No domingo de Carnaval de 2026, senti isso com intensidade. Vi uma das pessoas que mais me fez mal quando eu ainda era um garotinho. O sentimento tomou conta. Lembrei-me dele me segurando pelo braço e gritando comigo na frente de todo mundo, no Palácio das Artes, logo após uma apresentação. A partir desse episódio, que não havia sido o primeiro, saí da banda.

Hoje, tenho a idade que esse homem tinha quando fez essas coisas comigo. Fui atrás dele para perguntar se teria coragem de segurar o meu braço agora. Infelizmente, perdi-o no meio da multidão. Mas isso ainda vai acontecer. Vou tirar isso a limpo. Não vai me curar, mas talvez me traga um pouco de alívio.

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