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Mostrando postagens de abril, 2026
  Na sociedade atual, ser bom não é suficiente. Você pode não prejudicar ninguém, evitar o mal, tentar agir com integridade. Em tese, isso seria o ápice da virtude. Na prática, muitas vezes é visto como fraqueza. Como ingenuidade. Como idiotice. Lembra o príncipe Míchkin, de O Idiota , de Dostoiévski. Por isso, estou sempre em alerta. Quando baixo a guarda, a resposta costuma ser dura. As pessoas podem ser cruéis. Se você não está preparado, passam por cima. Exploram essa virtude para humilhar, ignorar ou simplesmente desrespeitar. E não são grandes acontecimentos. São situações banais. Uma mochila deixada em uma sala de imprensa. Uma grosseria em uma situação simples no dia a dia do trabalho. Um descaso em um hospital. Pequenas coisas que mostram algo maior. Talvez o problema não seja a bondade. Talvez seja o olhar que a sociedade lançou sobre ela. E, no fim, quem tenta ser correto acaba sendo visto como o idiota da história.  
  Nesta semana, recebi o Prêmio Especial do Anuário Estatístico do 19º Prêmio Abracopel de Jornalismo. É a segunda vez, em três anos, que isso acontece. Já foram outros reconhecimentos também. Trabalhos ao lado de grandes veículos, menção honrosa, algumas vitórias. Tudo isso é importante. Sempre foi. Mas, desta vez, foi diferente. No fim do ano passado, minha mãe teve dois infartos. Foram dias longos. Hospital, exames, incerteza. Noites mal dormidas. A cabeça sempre longe de qualquer outra coisa. Eu perdi mais de dez quilos nesse período. Não por escolha. Foi o corpo reagindo ao medo. E o medo era simples. Perder minha mãe. A mesma que sempre fez tudo por mim. Por isso, quando recebi esse prêmio, não pensei em números, nem em veículos, nem em currículo. Pensei nela. Em tudo o que ela passou. Em tudo o que ainda está passando. Em tudo o que ela sempre fez por mim, mesmo quando eu não entendia. Esse prêmio é para ela. E por ela.