Às vezes, o valor entre a recuperação e a preocupação é de apenas alguns reais. Os últimos dias foram complicados. Fiquei mais de 24 horas sem dormir, com muitas idas ao hospital e médicos vacilantes — não por incompetência, mas mais por inexperiência. Mesmo assim, tudo está dando certo e minha mãe está muito melhor. E a melhora veio com um remédio simples: a furosemida, um diurético. Ele expulsou o líquido do pulmão pela urina. O cansaço desapareceu tão logo começou a ser administrado. E o remédio custa menos de R$ 4. Um valor tão irrisório para uma vida tão preciosa.
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Mostrando postagens de março, 2026
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Uma noite interminável A noite do dia 6 de março não enganava. Minha mãe também não. Eu queria dormir com ela, mas ela negava, mesmo estando na minha casa. Insisti e fiquei ao lado dela, com Tetê, minha filha, na cama ao lado. A respiração estava forte. O calor era excessivo. O cansaço aparecia cada vez que ela ia ao banheiro. O sono não vinha, nem para ela, muito menos para mim. Quase duas horas da manhã. Pego uma dipirona. Faço um chá de erva-doce para ela tentar relaxar. Mas tudo piora. Mesmo com o ar-condicionado marcando 20 °C, o calor se torna insuportável para ela e o suor se transforma em uma cachoeira. Voltamos ao hospital, onde já havíamos ido uma semana antes. Meu coração sangra. Mas eu sei: vamos sair dessa de novo.
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Eu estava na primeira série do ensino fundamental. Era o início da década de 1990. Minha professora era a Dona Marisa. Infelizmente, já não me lembro mais do seu rosto. A memória apagou seus traços, mas não apagou a lembrança de que eu gostava muito dela. Eu era um bom aluno e me sentia à vontade naquela sala de aula. Uma das poucas recordações que guardo daquele tempo envolve uma conversa séria que tive com ela. Naquela época passava na televisão a versão mexicana de Carrossel . Eu gostava muito da novela. Nem lembro bem como conseguia assisti-la, porque na minha casa o canal que transmitia a novela pegava muito mal. Mesmo assim, eu não perdia um capítulo. Na minha cabeça de criança, aquele universo parecia muito próximo. As histórias da escola, os alunos, os professores, tudo aquilo parecia fazer parte de um mundo possível. Um dia, durante uma conversa na sala de aula, mencionei Carrossel . Não me lembro exatamente o que eu disse antes. Mas lembro perfeitamente do que falei n...
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Não sei por que ainda escrevo aqui. Ninguém lê. Ninguém se importa. Ninguém sabe que este blog existe. Mesmo assim, continuo. Talvez porque escrever seja uma forma de encontrar alguma força. Ou talvez porque eu queira deixar algo que prove que tive uma existência. Mas não sei. Se um dia alguém descobrir estas páginas, talvez encontre apenas isso: mais um. Alguém que não fez diferença. Um daqueles que quis muito, mas quase nada teve.
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Eu odeio você, lúpus. Você apareceu no pior momento das nossas vidas. Minha mãe, uma mulher batalhadora, já lutava contra um processo injusto, fruto de um erro que não era dela. Como se aquilo já não bastasse, você chegou. E se apoderou de tudo. Tentou destruir nossa família. Não conseguiu. Mas deixou marcas profundas. Perdemos o apartamento, sim. Eu saí da faculdade de Engenharia, sim. A saúde da minha mãe se deteriorou, sim. Você levou muita coisa. Mas falhou no mais importante. O meu amor por ela só aumentou. Cada dificuldade, cada noite de hospital, cada exame, cada remédio caro apenas me mostrou ainda mais quem ela é: uma mulher forte, que sempre se sacrificou pelos filhos e que nunca mereceu carregar um peso como esse. Por isso eu repito, sem medo algum: Eu odeio você, lúpus. Odeio por tudo o que você nos tirou. Mas você nunca conseguiu tirar o que mais importa: o amor puro, sincero e verdadeiro pela minha querida mãe.
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A semana está muito complicada. Minha preocupação está no máximo. Hospital, home office e cuidados com a minha mãe. Oito stents, dois infartos com poucos dias de diferença. Remédios caros. Ela está ficando muito cansada. Mas os exames não apontam nada no coração. Um alívio — embora, quase sempre no início da noite, ela tenha algo que exige atenção. Estou com muito medo. Minha mãe significa tudo para mim, e eu nunca consegui retribuir tudo o que ela fez. Eu preciso. Ela sempre se sacrificou pelos filhos e não merece o que está passando. Eu gostaria de trocar de lugar com ela. Simples assim.
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Era uma tarde de 1993. Minha mãe pegou os três filhos e mais um primo e seguimos rumo a Belo Horizonte. O destino era o Cine Royal, saudoso cinema no coração da capital mineira. O filme era Mudança de Hábito 2 . Lembro pouco dos detalhes, mas guardo uma memória muito gostosa daquele dia, pois foi a primeira vez que fui ao cinema. Hoje também penso na coragem da minha mãe em sair com quatro crianças, entre 9 e 3 anos, para ir ao centro da cidade usando transporte público. O que me vem à mente daquele dia é a dimensão do cinema e nós na fila. Provavelmente eu estava com vergonha pela bagunça que as crianças mais novas faziam. Mas era um tempo tão bom, de tanta inocência. Queria ter mais lembranças desse dia ou até mesmo poder revisitar aquele tempo. Um tempo tão gostoso, de uma família mais unida e da minha mãe jovem, forte, linda e muito saudável.