Na sociedade atual, ser bom não é suficiente. Você pode não
prejudicar ninguém, evitar o mal, tentar agir com integridade. Em tese, isso
seria o ápice da virtude. Na prática, muitas vezes é visto como fraqueza. Como
ingenuidade. Como idiotice.
Lembra o príncipe Míchkin, de O Idiota, de
Dostoiévski.
Por isso, estou sempre em alerta. Quando baixo a guarda, a
resposta costuma ser dura. As pessoas podem ser cruéis. Se você não está
preparado, passam por cima. Exploram essa virtude para humilhar, ignorar ou
simplesmente desrespeitar.
E não são grandes acontecimentos. São situações banais. Uma
mochila deixada em uma sala de imprensa. Uma grosseria em uma situação simples no
dia a dia do trabalho. Um descaso em um hospital.
Pequenas coisas que mostram algo maior.
Talvez o problema não seja a bondade. Talvez seja o olhar
que a sociedade lançou sobre ela.
E, no fim, quem tenta ser correto acaba sendo visto como o
idiota da história.
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