Era apenas um jovem, cheio de sonhos. Um menino de quinze anos que queria estar com os amigos. Ao mesmo tempo, carregava o desejo de jogar futebol.
Mas seus amigos não tinham o mesmo sonho. E, para ter um espaço entre eles, ele entrou na banda de música. Aprendeu trompete. Seu sopro era lindo e forte, embora tivesse dificuldade com a teoria. Ainda assim, tinha potencial para evoluir.
Entretanto, as coisas nunca foram fáceis para o menino. Desde cedo, o presidente da banda do Centro implicava com ele. Para piorar, o garoto tinha o mesmo nome do filho desse crápula. Tocavam o mesmo instrumento. O trompete era da mesma marca e do mesmo modelo. Coincidências? Talvez não. Talvez, apenas o destino.
Entre tantos episódios lamentáveis, nenhum marcou mais do que aquela noite no Palácio das Artes. Um homem com mais de quarenta anos puxando um menino que ainda não havia completado quinze, gritando com ele e fazendo um escândalo. Ali começou um hiato de quatro anos longe da música e um ferimento profundo que, mais de vinte e cinco anos depois, ainda não cicatrizou.
Mas esta história ainda não terminou. Um dia, a conta vai chegar.
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