Primeiro, comprei uma mochila rosa da Company para minha mãe. Depois, um tênis Asics, também rosa. Isso tudo foi em 2025, pouco antes do seu aniversário de 67 anos.
Minha mãe é, de longe, a melhor pessoa do mundo. Mas a vida não soube recompensá-la. E eu, por muito tempo, não tive noção da sua grandeza nem de tudo o que ela fez por nossa família.
Esses simples presentes tinham o intuito de me levar de volta à década de 1990, mais precisamente à sua segunda metade.
Ela estava linda, tinha dois empregos e eu e meus irmãos tínhamos uma vida confortável. Nos anos 2000, tudo mudou. As coisas ficaram mais difíceis e, infelizmente, eu não consegui compreender. Até tentei ajudar, mas acabei piorando a situação. Veio a perda do apartamento, o diagnóstico de uma doença autoimune. Mas o que nunca faltou foi o seu amor pela família e a sua grandeza como mulher.
Por isso, eu queria voltar àquela época em que ela se arrumava, colocava a mochila Company e o tênis Asics e ia trabalhar. Essa foi a fase mais feliz da minha vida. E, apesar de não falar, eu já te admirava muito naquela época. Por isso, vou sempre dizer: a vida te deve demais, minha mãe. E eu devo tudo a você.
O ano de 2025 parecia que seria ótimo. Mas o seu final reservou medo e apreensão para este pobre e macambúzio escritor que vos escreve. No entanto, apesar de tudo, conseguimos superar e seguimos adiante. Apreensivos com o futuro e desejando que, finalmente, a vida transforme toda a melancolia em esperança. Esperança de dias melhores, esperança na saúde dos meus familiares e sucesso para mim, minha mãe, minha esposa, meus filhos e meus irmãos. Às vezes, é difícil manter o otimismo e acreditar que conseguirei cumprir todos os meus sonhos. Mas preciso seguir, ao menos para tentar. É um primeiro texto reflexivo, que demonstra a pessoa sentimental e duvidosa em que me tornei. Até uma próxima, pretenso e imaginário leitor!
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