Iludido

Quem és tu, leitor, que a ilusão é tanta que não és capaz de compreender o teu ser? És um frustrado ou um bem-sucedido? Não sei e, por esse motivo, dou-me o direito de especular. A única coisa que sei é que recriminas a humilde alma que vos escreve.


O maior escritor brasileiro de todos os tempos, no clássico Memórias Póstumas de Brás Cubas, uma vez te advertiu. Porém, como estavas no teu Olímpio, a recomendação passou despercebida. A tua pressa em envelhecer  é grande, no entanto, o meu estilo é devagar como uma tartaruga. Meu texto te irritas, mas, ao mesmo tempo,  faz aumentar ainda mais o teu ego.

Tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, entretanto, o meu estilo é como os bêbados, que tombam à direita e à esquerda. Andam e param. Resmungam, urram, gargalham (muitas vezes de ti), ameaçam o céu e a terra e, às vezes, escorregam e caem em um abismo sem fim.

Entretanto, como és presunçoso, a tua arrogância prevalece. Rirás de minha polifonia. Chamar-me-ás de preguiçoso e de plagiador. Mas eu não ligo. A  opinião é tua e não trará consequências negativas para mim.

 

O meu orgulho está ferido. Entretanto, a minha vontade de conquistar o mundo não se esvaziou. Posso achar que o meu talento está em xeque. Mas, na verdade, as tuas críticas só me dão forças para continuar na minha caminhada.

 

Mas, apesar das duras palavras, não te critico. Essa é tua lógica, a tua essência. Porém, eu também tenho os meus princípios e a minha metodologia. E não as abandonarei por nada deste mundo.



***Essa foi uma crônica que fiz no sexto período do curso de jornalismo no primeiro semestre de 2009 para criticar o meu professor, que sempre reclamava dos meus textos e não me dava boas. Esse foi o primeiro 10 que ele me deu no curso. 

 

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